A tarja rosa

Um aviso: Não temos respostas. Temos novas perguntas.


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Imagens que falam

Sem título

Um vídeo começou a ser espalhado na internet há mais ou menos uma semana e já foi visto por mais de 4 milhões de pessoas. E até há alguns dias atrás, não se sabia se era um viral publicitário ou apenas um apelo por atenção para mais um caso de violência contra a mulher.

No filme, intitulado “Uma foto por dia no pior ano da minha vida”, uma mulher se fotografa a cada dia de seu ano, e em algumas fotos ela está machucada, logo de cara ele mexe com quem vê e se transforma num pedido de socorro. No final do vídeo, a mulher segura um cartaz onde está escrito em croata que se trata de uma campanha contra a violência doméstica às mulheres.

O post publicado por mim no dia internacional da mulher dá uma ideia de como a violência contra a mulher é um doença grave e sem previsão de cura na sociedade.

Isso não é “privilégio” do Brasil, na Croácia, a violência doméstica piorou ainda mais depois do fim da guerra da Bósnia (1995), que detonou aumento de casos de alcoolismo, desemprego e uso de drogas pelos homens. Aproximadamente 41% da população feminina diz já sofreu algum tipo de violência.

Sempre vale a pena fazer mais um movimento para mobilizar a opinião pública mundial, a respeito de um problema quase tão velho quanto a humanidade.

Leia mais aqui, e aqui.

Veja o vídeo:

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Constanza, novelas e SPFW

Constanza aos 73 anos, com 50 de carreira em moda para mulheres rais. Foto: Giseli Miliozi

Constanza Pascolato na SPFW falou da moda para mulheres reais. Foto de Giseli Miliozi

Essa semana está acontecendo a São Paulo Fashion Week na Bienal do Ibirapuera, e termina hoje, portanto, eu estou meio lá, meio cá, de olho nas tendências, mas sem perder de vista, o chão, sim, quer dizer os pés, no chão.

Quem costuma trabalhar na Semana de Moda, todo ano, ou a cada 7 ou 8 meses, notou diferenças no evento que está acontecendo esta semana, que serve para mostrar as coleções do verão de 2014. Ele está, digamos, mais enxuto e mais direcionado a quem realmente trabalha e vive da moda, em seus diversos meandros, estilistas, maquiadores, modelos, costureiras, lojistas, e estudantes de moda.

Em vez de um evento que ocupava três andares, apenas o térreo e o segundo andar estão sendo utilizados, quase não há lounges, tudo foi otimizado. O que representa um alinhamento com os novos tempos que vivemos. Otimizados.

Não dá para dizer que há uma crise, a moda sempre ocupa seu lugar, o que há é um direcionamento. Isso a meu ver, é o melhor para todos, para quem trabalha na realização do evento, para a imprensa especializada que analisa todo esse processo.

Essa realidade não consegue tirar a importância e o brilho do evento, afinal de contas sempre tem algo para ver, aprender e aproveitar.

E entre uma correria aqui e um bastidor ali, colhi um recado de uma das figuras mais legais da moda, Constanza Pascolato, que está completando 50 anos de carreira, e sabe bem separar fashionismo e vida real. Esse encontro fortuito aconteceu no segundo dia de Fashion Week durante minha cobertura para o Vila Mulher.

Entre diversas tietes, consegui bater um papo com ela, e perguntei se nós mulheres da vida real podemos tirar algo da semana de moda, menos conceitual, e ela me disse que se nesse evento não houvesse roupa conceitual, o povo de moda iria chiar, porque eles também vão ali atrás de conceitos, daquele além, do algo mais.

A tradução desses conceitos é o papel do profissional de moda. As mulheres de hoje estão com tudo, inclusive sorte, porque muitas roupas de estilista foram parar em fast fashions, e pode-se usar tudo como inspiração, não precisa ser igual, melhor ainda usar a criatividade e ser original. Dá para usar new look sem ter Dior, basta saber produzir um estilo, saia rodada com cintura marcada. Pronto.

Quando escolhemos uma cor, ou vemos uma roupa incrível, e a compramos, muitas de nós, aliás a maioria, não imaginamos como ela foi concebida. O ponto de partida pode ter sido um evento de moda, que serve de vitrine para quem quer vender sua ideia, assim como as vitrines das lojas servem para nós, que também procuramos por novidades.

 


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Troca-se o santo – o milagre continua o mesmo

Foto - reprodução UOL

Foto – reprodução UOL

Finalmente, hoje à tarde, noitinha lá em Roma, a fumacinha branca saiu linda da chaminé da Capela Sistina e assim, um novo Papa chega ao poder. O argentino, Jorge Mario Bergoglio, que escolheu de chamar Francisco 1º, vai continuar o trabalho dos antecessores.

Isso significa que tudo continua igual, para mim e para você que me lê, e para os embates tão antigos, como casamento gay, aborto, contraceptivos e bla, blá, blá. Não há advento qualquer da vida em sociedade moderna que faça o catolicismo (em declínio, leia-se) abençoar tais práticas, não há motivos lógicos para isso, uma vez que a doutrina religiosa dos católicos não aprova isso.

Logicamente, Seu Jorge é conservador, contra o aborto e contra o casamento gay, mas ele disse que respeita os homossexuais, segundo publicado no UOL. Nossa, quanta virtude. Que me conste é o mínimo, mas não estou aqui para julgar e sim para afirmar, o quanto esse assunto pesa pouco, ou NADA, em nossas vidas.

Ou será que a eleição do Para revoga ou colabora para algum direito que qualquer ser humano na face da Terra conseguiu até hoje?

 

 


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Inspiração X transpiração

Misturar frases de diálogos com movimento em animações não é novidade, e virou febre há um tempo atrás. O recurso é chamado de Motion Typography, isto é, “tipografia em movimento” e foi amplamente explorado pela publicidade. Mesmo assim, é uma inspiração bem interessante, e este vídeo foi tirado de um filme, e quem diria vindo de Rocky Balboa.

Mesmo que você torça o nariz, o personagem é um exemplo de superação, e o que ele diz não é nenhuma mentira e nem exagero.

Vamos seguir nessa vibe, dando “punchs” nos obstáculos, mas sem perder a ternura.


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Incompreensível é uma forma de descrever

Estou chocada com o caso do ciclista que teve o braço decepado ao passear ontem na Av. Paulista. Sim, estou. Eu sempre fico. Talvez pela forma como se deu o acidente.

E como acontece muito, infelizmente, o motorista, de 22 anos, não deu socorro, quando o braço do ciclista foi decepado. Ele pegou o membro e o jogou num córrego. Não dá para imaginar direito o sofrimento dessa pessoa que passou por isso e pensar no que o motorista fez. O que nos resta é o medo e a perplexidade.

A ciclofaixa ainda não estava ativada pois eram 5h30 da manhã, mas o supreendente é que o braço que poderia ter sido implantado foi jogado pelo maluco do motorista que, após deixar o carro em casa, foi até a delegacia se entregar, dizendo “me prende, me prende”.

Custava ajudar? Não entendo o motivo pelo qual alguém foge de uma situação dessas, de forma inexplicável e bizarra. Era o momento de esquecer quem errou, era momento de ajudar uma pessoa ferida. Além do mais, a história poderia ter tido um desfecho muito melhor, com uma menção não tão chocante no noticiário, mas ainda assim, uma boa notícia para o ciclista e sua família.

Mais detalhes aqui.


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Au revoir Paris

A semana de moda de Paris terminou na quarta, e para comentar algumas coisas interessantes é necessário escolher, tarefa árdua, porém, está feita. Como, infelizmente não fui ao Grand Palais depois de 2010, selecionei o que mais curti e vi pela internet.  É claro que não teremos os originais, certo, darling, mas podemos adaptar e copiar uma coisinha aqui outra ali.

Você pode se perguntar para quê ver o que se passa em Paris. Eu explico, porque de uma forma ou de outra, o que se vê agora nas passarelas de Paris vai chegar aqui, seja em forma, cores, e inspiração, ou seja, cópias super bem feitas para que nós, reles mortais possamos aproveitar o que os gênios da costura inventaram.

Eles também fazem suas reciclagens verdade seja dita, vintage, inspiração anos 80, militarismo e etc. Vou comentar com fotos como tem coisas boas que nunca mudam.

Meu preferido e totalmente alegórico é Alexander McQueen, nada usável, totalmente dramático, fetichista e teatral, mas lindo. Vamos combinar, quem veste um destes modelos tem onde usá-los. E se não tiver inventa e adapta. Se um dia alguém me ver usando uma pecinha dele, tenham certeza, eu venci. Câmbio.

Desfile de McQueen: eparem nos acessórios que parecem ser unhas enormes

Desfile de McQueen: eparem nos acessórios que parecem ser unhas enormes

Depois tem a Chanel, que está completando 100 anos de vida, com tudo em cima, sem desapegar do seu clássico o casaquinho de tweedy com saia, mesmo que reeditado. O desfile teve um globo terrestre imenso como cenário com bandeirinhas nos lugares onde a Chanel vende seus produtos. Credibilidade é isso aí.

O destaque vai para as meias de vinil 7/8 e as botas atemporais, com correntes e reeditadas. Digo isso, pois elas lembram muito uma que eu tenho, e o bico redondo com biqueiras com verniz.

Botas atemporais e rock and roll da Chanel centenária. Foto: @Imaxtree via FFW

Botas atemporais e rock and roll da Chanel centenária. Foto: @Imaxtree via FFW

Dior leva meu apreço pelo corte e pelo sapatinho de tira em viés. Foto reprodução FFW

Like a queen, sempre, Ellie Saab, é uma festa de elegância e beleza, em vestidos de festa, e continua, mas hoje, vou destacar um modelinho para usar todo dia, tão perfeito, até na cor. O modelo é eterno, tem cintura e saia rodada. Podia ser usado com tudo, até com havaianas. É isso darlings. E vocês gostaram?

Ellie Saab básico e maravilhoso para a vida. Foto reprodução FFW

Ellie Saab básico e maravilhoso para a vida. Foto reprodução FFW


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8 de março

“Hoje eu subo novamente nesse plenário no dia em que celebramos as conquistas de outro grupo que, assim como nós LGBTs foram perseguidas e estigmatizadas: as mulheres.” Jean Wyllys

 

 

Você sente assimàs vezes? Bem-vinda ao clube. Foto: Alice em cena de "Resident Evil 5 - Retribuição", Sony Pictures

Você se sente assim
às vezes? Bem-vinda ao clube. Foto: Alice em cena de “Resident Evil 5 – Retribuição”, Sony Pictures

Hoje é um dia para se sentir dividida e com sentimentos diversos, o Dia Internacional da Mulher, 8 de março.

Dia de ganhar presentes, aproveitar as liquidações de roupas e sapatos, flores, e parabéns, dia de se chocar mais uma vez com o aumento da violência contra a mulher, dia de lembrar que ainda ganhamos em média 30% a menos que os homens na mesma função, dia de lembrar porque esse dia existe. E de finalmente, se entender e se valorizar.

Um dia para se lembrar de que, antes de tudo, algumas das coisas que para nós, nascidas depois da década de 60, são super normais, eram verdadeiros sacrilégios e isso não faz quase nada de tempo em termos históricos. Se você mulher, ainda não sabe que a vida antigamente era assim, vale a pena se ligar e pesquisar sobre isso lendo este post. Aproveite o dia de hoje. Todo dia é dia das mulheres, olhe para sua mãe, sua avó, e entenda como funciona.

A vida corrida (a dupla jornada!) nos faz esquecer, e não podemos esquecer. Na verdade, seria ótimo podermos esquecer que temos que lutar por direitos iguais, todo dia. Muitas vezes, não por nós, mas por outras mulheres, vizinhas, irmãs, amigas, mães, que ainda não desfrutam de seu livre arbítrio e ainda vivem subjulgadas pelo marido, pelo pai, por um patrão ou por um padrão da década de 40.

Estamos em 2013, certo? É o que o calendário diz, mas ainda somos criticadas e apontadas, até mesmo por outras mulheres, por sermos independentes, solteiras, porque usamos roupas curtas, justas, compridas, largas, se queremos ter um ou mais homens, se temos ou não filhos e se estamos lindas e sorrindo (mesmo que forçadamente), e sabendo lidar com a necessidade de se impor o tempo todo. Isso cansa. Ser mulher já é nascer com o gene da vida multitarefa. Não é necessário se cobrar mais.

Ah, e tem a violência especializada…quem nunca viu ao menos um caso perto de si? ou do seu círculo de amizades?

A Agência Patrícia Galvão reuniu alguns dados de diversas pesquisas feitas em 2011 sobre a violência contra a mulher no Brasil. As pesquisas foram publicadas em 2012 e fazem parte do Mapa da Violência 2012: Homicídio de Mulheres no Brasil:

– Seis em cada 10 brasileiros conhecem alguma mulher que foi vítima de violência doméstica.

– Machismo (46%) e alcoolismo (31%) são apontados como principais fatores que contribuem para a violência.

– 52% acham que juízes e policiais desqualificam o problema.

– 66% das brasileiras acham que a violência doméstica e familiar contra as mulheres aumentou.

– A grande maioria dos homens, mais de 60%, usam o violência como forma de controle da mulher seja por excesso de álcool ou por ciúmes.

– O parceiro (marido ou namorado) é o responsável por mais 80% dos casos reportados.

– O medo continua sendo a razão principal (68%) para evitar a denúncia dos agressores.

Alguns dados animadores:

– 91% dos homens dizem considerar que “bater em mulher é errado em qualquer situação”.

– Cerca de seis em cada sete mulheres (84%) e homens (85%) já ouviram falar da Lei Maria da Penha e cerca de quatro em cada cinco (78% e 80% respectivamente) têm uma percepção positiva da mesma.

– 60% das mulheres acreditam que a proteção contra este tipo de agressão melhorou após a criação da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006).

 

A violência não é a única coisa a se pensar, a seleção velada que existe nas vagas de emprego, entre mulheres na “fase reprodutiva” na faixa dos 30 e poucos. Algumas empresas preferem contratar homens. Afinal eles não precisam se ausentar de 4 a 6 meses.

E se você homem, está por aqui lendo, e sabe de tudo isso, e não concorda com nada, meus parabéns, você é uma linda excessão.

Por isso, meninas, mulheres, darlings, se acham legal curtir o lado consumista e os mimos das lojas e dos maridos/namorados, do dia da mulher, ok, mas não se esqueçam de refletir. Use o dia também para isso.

Trilha sonora do post

http://www.youtube.com/watch?v=8hCFLZr5jy0