A tarja rosa

Um aviso: Não temos respostas. Temos novas perguntas.

8 de março

3 Comentários

“Hoje eu subo novamente nesse plenário no dia em que celebramos as conquistas de outro grupo que, assim como nós LGBTs foram perseguidas e estigmatizadas: as mulheres.” Jean Wyllys

 

 

Você sente assimàs vezes? Bem-vinda ao clube. Foto: Alice em cena de "Resident Evil 5 - Retribuição", Sony Pictures

Você se sente assim
às vezes? Bem-vinda ao clube. Foto: Alice em cena de “Resident Evil 5 – Retribuição”, Sony Pictures

Hoje é um dia para se sentir dividida e com sentimentos diversos, o Dia Internacional da Mulher, 8 de março.

Dia de ganhar presentes, aproveitar as liquidações de roupas e sapatos, flores, e parabéns, dia de se chocar mais uma vez com o aumento da violência contra a mulher, dia de lembrar que ainda ganhamos em média 30% a menos que os homens na mesma função, dia de lembrar porque esse dia existe. E de finalmente, se entender e se valorizar.

Um dia para se lembrar de que, antes de tudo, algumas das coisas que para nós, nascidas depois da década de 60, são super normais, eram verdadeiros sacrilégios e isso não faz quase nada de tempo em termos históricos. Se você mulher, ainda não sabe que a vida antigamente era assim, vale a pena se ligar e pesquisar sobre isso lendo este post. Aproveite o dia de hoje. Todo dia é dia das mulheres, olhe para sua mãe, sua avó, e entenda como funciona.

A vida corrida (a dupla jornada!) nos faz esquecer, e não podemos esquecer. Na verdade, seria ótimo podermos esquecer que temos que lutar por direitos iguais, todo dia. Muitas vezes, não por nós, mas por outras mulheres, vizinhas, irmãs, amigas, mães, que ainda não desfrutam de seu livre arbítrio e ainda vivem subjulgadas pelo marido, pelo pai, por um patrão ou por um padrão da década de 40.

Estamos em 2013, certo? É o que o calendário diz, mas ainda somos criticadas e apontadas, até mesmo por outras mulheres, por sermos independentes, solteiras, porque usamos roupas curtas, justas, compridas, largas, se queremos ter um ou mais homens, se temos ou não filhos e se estamos lindas e sorrindo (mesmo que forçadamente), e sabendo lidar com a necessidade de se impor o tempo todo. Isso cansa. Ser mulher já é nascer com o gene da vida multitarefa. Não é necessário se cobrar mais.

Ah, e tem a violência especializada…quem nunca viu ao menos um caso perto de si? ou do seu círculo de amizades?

A Agência Patrícia Galvão reuniu alguns dados de diversas pesquisas feitas em 2011 sobre a violência contra a mulher no Brasil. As pesquisas foram publicadas em 2012 e fazem parte do Mapa da Violência 2012: Homicídio de Mulheres no Brasil:

– Seis em cada 10 brasileiros conhecem alguma mulher que foi vítima de violência doméstica.

– Machismo (46%) e alcoolismo (31%) são apontados como principais fatores que contribuem para a violência.

– 52% acham que juízes e policiais desqualificam o problema.

– 66% das brasileiras acham que a violência doméstica e familiar contra as mulheres aumentou.

– A grande maioria dos homens, mais de 60%, usam o violência como forma de controle da mulher seja por excesso de álcool ou por ciúmes.

– O parceiro (marido ou namorado) é o responsável por mais 80% dos casos reportados.

– O medo continua sendo a razão principal (68%) para evitar a denúncia dos agressores.

Alguns dados animadores:

– 91% dos homens dizem considerar que “bater em mulher é errado em qualquer situação”.

– Cerca de seis em cada sete mulheres (84%) e homens (85%) já ouviram falar da Lei Maria da Penha e cerca de quatro em cada cinco (78% e 80% respectivamente) têm uma percepção positiva da mesma.

– 60% das mulheres acreditam que a proteção contra este tipo de agressão melhorou após a criação da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006).

 

A violência não é a única coisa a se pensar, a seleção velada que existe nas vagas de emprego, entre mulheres na “fase reprodutiva” na faixa dos 30 e poucos. Algumas empresas preferem contratar homens. Afinal eles não precisam se ausentar de 4 a 6 meses.

E se você homem, está por aqui lendo, e sabe de tudo isso, e não concorda com nada, meus parabéns, você é uma linda excessão.

Por isso, meninas, mulheres, darlings, se acham legal curtir o lado consumista e os mimos das lojas e dos maridos/namorados, do dia da mulher, ok, mas não se esqueçam de refletir. Use o dia também para isso.

Trilha sonora do post

http://www.youtube.com/watch?v=8hCFLZr5jy0

 

 

 

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Autor: Giseli

Giseli Miliozi, jornalista, blogueira, maquiadora e artista. Escreve há bom tempo sobre o universo feminino, moda e comportamento. Adora Star Wars e De Volta para O Futuro e os anos 80. Acredita na máxima: "Estressada, deprimida, ok, mal vestida e sem batom, nunca!"

3 pensamentos sobre “8 de março

  1. como sempre um texto impecavel, inteligente e atual. Adorei.

  2. Gostei Giseli . Náo sou a favor a idolatria ao feminismo . Porem a data nao é um mero simbolismo ou dia de exaltar simples banalidades do dia a dia feminino brasileiro. Nao podemos esquecer daquelas que tornam nossa vida bem melhor de ser vivida e outras tantas em outros lugares do globo que perecem por sua simples existencia mais fragil. Força e coragem a todas nós !

  3. Pingback: Imagens que falam | A tarja rosa

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