A tarja rosa

Um aviso: Não temos respostas. Temos novas perguntas.


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Imagens que falam

Sem título

Um vídeo começou a ser espalhado na internet há mais ou menos uma semana e já foi visto por mais de 4 milhões de pessoas. E até há alguns dias atrás, não se sabia se era um viral publicitário ou apenas um apelo por atenção para mais um caso de violência contra a mulher.

No filme, intitulado “Uma foto por dia no pior ano da minha vida”, uma mulher se fotografa a cada dia de seu ano, e em algumas fotos ela está machucada, logo de cara ele mexe com quem vê e se transforma num pedido de socorro. No final do vídeo, a mulher segura um cartaz onde está escrito em croata que se trata de uma campanha contra a violência doméstica às mulheres.

O post publicado por mim no dia internacional da mulher dá uma ideia de como a violência contra a mulher é um doença grave e sem previsão de cura na sociedade.

Isso não é “privilégio” do Brasil, na Croácia, a violência doméstica piorou ainda mais depois do fim da guerra da Bósnia (1995), que detonou aumento de casos de alcoolismo, desemprego e uso de drogas pelos homens. Aproximadamente 41% da população feminina diz já sofreu algum tipo de violência.

Sempre vale a pena fazer mais um movimento para mobilizar a opinião pública mundial, a respeito de um problema quase tão velho quanto a humanidade.

Leia mais aqui, e aqui.

Veja o vídeo:

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Incompreensível é uma forma de descrever

Estou chocada com o caso do ciclista que teve o braço decepado ao passear ontem na Av. Paulista. Sim, estou. Eu sempre fico. Talvez pela forma como se deu o acidente.

E como acontece muito, infelizmente, o motorista, de 22 anos, não deu socorro, quando o braço do ciclista foi decepado. Ele pegou o membro e o jogou num córrego. Não dá para imaginar direito o sofrimento dessa pessoa que passou por isso e pensar no que o motorista fez. O que nos resta é o medo e a perplexidade.

A ciclofaixa ainda não estava ativada pois eram 5h30 da manhã, mas o supreendente é que o braço que poderia ter sido implantado foi jogado pelo maluco do motorista que, após deixar o carro em casa, foi até a delegacia se entregar, dizendo “me prende, me prende”.

Custava ajudar? Não entendo o motivo pelo qual alguém foge de uma situação dessas, de forma inexplicável e bizarra. Era o momento de esquecer quem errou, era momento de ajudar uma pessoa ferida. Além do mais, a história poderia ter tido um desfecho muito melhor, com uma menção não tão chocante no noticiário, mas ainda assim, uma boa notícia para o ciclista e sua família.

Mais detalhes aqui.


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8 de março

“Hoje eu subo novamente nesse plenário no dia em que celebramos as conquistas de outro grupo que, assim como nós LGBTs foram perseguidas e estigmatizadas: as mulheres.” Jean Wyllys

 

 

Você sente assimàs vezes? Bem-vinda ao clube. Foto: Alice em cena de "Resident Evil 5 - Retribuição", Sony Pictures

Você se sente assim
às vezes? Bem-vinda ao clube. Foto: Alice em cena de “Resident Evil 5 – Retribuição”, Sony Pictures

Hoje é um dia para se sentir dividida e com sentimentos diversos, o Dia Internacional da Mulher, 8 de março.

Dia de ganhar presentes, aproveitar as liquidações de roupas e sapatos, flores, e parabéns, dia de se chocar mais uma vez com o aumento da violência contra a mulher, dia de lembrar que ainda ganhamos em média 30% a menos que os homens na mesma função, dia de lembrar porque esse dia existe. E de finalmente, se entender e se valorizar.

Um dia para se lembrar de que, antes de tudo, algumas das coisas que para nós, nascidas depois da década de 60, são super normais, eram verdadeiros sacrilégios e isso não faz quase nada de tempo em termos históricos. Se você mulher, ainda não sabe que a vida antigamente era assim, vale a pena se ligar e pesquisar sobre isso lendo este post. Aproveite o dia de hoje. Todo dia é dia das mulheres, olhe para sua mãe, sua avó, e entenda como funciona.

A vida corrida (a dupla jornada!) nos faz esquecer, e não podemos esquecer. Na verdade, seria ótimo podermos esquecer que temos que lutar por direitos iguais, todo dia. Muitas vezes, não por nós, mas por outras mulheres, vizinhas, irmãs, amigas, mães, que ainda não desfrutam de seu livre arbítrio e ainda vivem subjulgadas pelo marido, pelo pai, por um patrão ou por um padrão da década de 40.

Estamos em 2013, certo? É o que o calendário diz, mas ainda somos criticadas e apontadas, até mesmo por outras mulheres, por sermos independentes, solteiras, porque usamos roupas curtas, justas, compridas, largas, se queremos ter um ou mais homens, se temos ou não filhos e se estamos lindas e sorrindo (mesmo que forçadamente), e sabendo lidar com a necessidade de se impor o tempo todo. Isso cansa. Ser mulher já é nascer com o gene da vida multitarefa. Não é necessário se cobrar mais.

Ah, e tem a violência especializada…quem nunca viu ao menos um caso perto de si? ou do seu círculo de amizades?

A Agência Patrícia Galvão reuniu alguns dados de diversas pesquisas feitas em 2011 sobre a violência contra a mulher no Brasil. As pesquisas foram publicadas em 2012 e fazem parte do Mapa da Violência 2012: Homicídio de Mulheres no Brasil:

– Seis em cada 10 brasileiros conhecem alguma mulher que foi vítima de violência doméstica.

– Machismo (46%) e alcoolismo (31%) são apontados como principais fatores que contribuem para a violência.

– 52% acham que juízes e policiais desqualificam o problema.

– 66% das brasileiras acham que a violência doméstica e familiar contra as mulheres aumentou.

– A grande maioria dos homens, mais de 60%, usam o violência como forma de controle da mulher seja por excesso de álcool ou por ciúmes.

– O parceiro (marido ou namorado) é o responsável por mais 80% dos casos reportados.

– O medo continua sendo a razão principal (68%) para evitar a denúncia dos agressores.

Alguns dados animadores:

– 91% dos homens dizem considerar que “bater em mulher é errado em qualquer situação”.

– Cerca de seis em cada sete mulheres (84%) e homens (85%) já ouviram falar da Lei Maria da Penha e cerca de quatro em cada cinco (78% e 80% respectivamente) têm uma percepção positiva da mesma.

– 60% das mulheres acreditam que a proteção contra este tipo de agressão melhorou após a criação da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006).

 

A violência não é a única coisa a se pensar, a seleção velada que existe nas vagas de emprego, entre mulheres na “fase reprodutiva” na faixa dos 30 e poucos. Algumas empresas preferem contratar homens. Afinal eles não precisam se ausentar de 4 a 6 meses.

E se você homem, está por aqui lendo, e sabe de tudo isso, e não concorda com nada, meus parabéns, você é uma linda excessão.

Por isso, meninas, mulheres, darlings, se acham legal curtir o lado consumista e os mimos das lojas e dos maridos/namorados, do dia da mulher, ok, mas não se esqueçam de refletir. Use o dia também para isso.

Trilha sonora do post

http://www.youtube.com/watch?v=8hCFLZr5jy0