A tarja rosa

Um aviso: Não temos respostas. Temos novas perguntas.


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Sem aviso prévio

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Não há como não citar a morte do meu pai como um marco em minha vida. Ele me deixou há 32 dias e ainda tento concatenar novamente minhas ideias.  Eu estou me refazendo pouco a pouco. Estou em paz, minha família também. Mas não há o que negar – nós mudamos. A luz não apaga nunca, mas as lâmpadas estão fracas e precisam de troca.

A impressão que tenho é a de que, a partir do dia em que recebi a notícia da doença do meu pai, tudo o que eu tinha na cabeça foi bruscamente deletado. Foi como se um cérebro novo fosse colocado no lugar do antigo para assimilar melhor as informações. Só que o coração que eu tinha no peito, este, permaneceu. Um truque perfeito. Uma mente vazia de tudo e um coração cheio de amor. Deve ser essa a receita divina para fazer com que a gente aguente certos trancos que a vida despeja na gente, sem aviso prévio.

Como uma mãe em vigília permanente pelos filhos, eu permaneci alerta e pronta para o que ele precisasse, instintivamente, ao lado de meu irmão e de minha mãe. Espero ter sido quem ele esperava que eu fosse. Ele disse tantas vezes, que sentia orgulho de mim, provavelmente na mesma quantidade em que me chamava de teimosa e dizia que eu fazia tudo como queria. Risinho.

Eu prefiro acreditar que fiz tudo certo, e que me mostrei forte para ele. Assim como ele esperava que eu fosse.

Só fica uma saudade das coisas boas, das risadas, dos ensinamentos e dos momentos únicos (bons e maus, tudo faz falta). O resto é basicamente seguir em frente e ser fortemente feliz. Bora lá!


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Mistureba

SAM_0431Desde o princípio o Tarja Rosa nasceu para ser uma grande mistureba, um mosaico de mim e de coisas que eu vejo todos os dias, um jeitão de me expressar de forma aberta, clara e sincera, e continuará assim. Vou começar a dar mais vida para ele, que anda desanimado. Assim como eu estava.

Agora que a tempestade passou é o momento do renascimento, e esta flor aqui vai desabrochar no inverno. Porque comigo funciona assim. Adoro o frio. Nada mais justo. Sou uma profissional versátil, multimídia, e divertida, mas acresci algo mais, agora sou maquiadora profissional. Continuo sendo jornalista, sim, não é algo que se deixa de ser, mas no momento quero ser artista, de beleza, mais especificamente.

Minha tela será o rosto de minhas queridas clientes. Além disso, continuarei dando as cartas e as palavras por aqui. Obrigada por quem continua visitando este sítio. Sigamos juntos.

Quem quiser ver minhas maquiagens, acesse meu perfil no Instagram: @gmiliozimakeup Bora lá curtir e comentar.

E não esqueçam TR também está no facebook, ok?


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Sobre ser feliz em 2015 – não se obrigue

Tudo bem se você não está a fim de ser feliz hoje, tá colega? Segura essa onda.

Tudo bem se você não está a fim de ser feliz hoje, tá colega? Segura essa onda.

Quem é que nunca se sentiu quase um mutante por não estar mais pra cima do que fogos de artifício em noite de réveillon? Eu já. Se você não, tens sorte. Não é o fim do mundo, mas cansa bastante. É preciso ter energia para acordar da cama todas as manhãs e encarar o mundo. Nunca duvide disso.

Ser feliz é legal e pode ser real para você, e isso é algo muito particular, mas nem sempre dá para acontecer de forma linear, na entrada da primavera ou no ano novo, por exemplo. E isso parece ser impossível para algumas pessoas entenderem. Você precisa estar esfuziante e positivamente engajado em algo que vai despender de você uma energia enorme. Você quer chorar e gritar porque sua cabeça dói, mas ensaia um sorriso fingido de canto de boca.

O fato é que você fala, anda e tem suas faculdades mentais com funcionamento perfeito. Fica implícito que você já é abençoado e não tem o direito de ao menos fazer cara feia. Ninguém quer dizer o contrário sobre suas bênçãos, mas péra lá…

Não se obrigue.  Aprenda a consumir e vivenciar seus sentimentos reais; sejam de alegria ou de dor, isso não é pecado, embora esteja fora da moda e não pegue bem nas redes sociais.

Seu emprego já era, seus esforços foram vistos com indiferença, você desistiu, foi ao fundo do poço e voltou, levou um fora, deu um fora, se decepcionou, foi traído (a), se sentiu humilhado (a), enfim, por um momento é seu direito de não estar assim tão bem. Olhar na internet vai te ajudar a entender que tem gente bem pior que você. Isso não vai ajudar. Vai por mim.

O que te ajuda e te faz viver é entender, digerir e pensar no que fazer agora. Pode ser que seja um aceno de cabeça dos novos tempos. Um sinal de que você precisa mudar radicalmente. E como estou aqui para defender você e o direito universal de não estar tão feliz – um aviso – vai doer, e muito. Lembre-se do que sua mãe ou avó te disseram, elas sabem das coisas, “o que dói cura e o que aperta segura”. É isso, nada de mertiolate que não arde.

Se a gente olhar o nosso mundo, a nossa realidade e para todas as coisas que acontecem, não dá mais para idealizar um conceito de felicidade. Pensar em nossa pequeneza diante de tanta destruição e do fim do mundo como o conhecemos com uma Amazônia, por exemplo, desanima para caramba. Por isso, temos que inventar todo dia no espelho. Se for quase uma ilusão temporária, por mim tudo bem.

Eu costumo viver cada dia e encarar minha capacidade de fazer algo que eu julgue legal para alguém e para mim mesma. Mas isso pode mudar, e depois mudar de novo. Consigo sorrir mais certos dias.

Pare se obrigar a ser feliz e sair pulando se tudo isso for forçado e fingido para você. A gente sente no estômago, no útero e no corpo todo, preste atenção.  Poder exercer o direito de não estar feliz de vez em quando. Isso sim é felicidade.

Evoque esse mantra: “Tudo bem se nesse momento eu não estou feliz, eu sou normal. Os que não saem desse torpor risonho é que estão loucos. Olhe ao seu redor. Ninguém pode nos defender de nós mesmos, a não ser nós mesmos”.

E…um 2015 melhor para todos nós.


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Quando foi que nos tornamos super-mulheres?

Fomos talhadas para atos heróicos diários apenas por sermos mulheres. isso cansa, certo?

Fomos talhadas para atos heróicos diários apenas por sermos mulheres. isso cansa, certo?

Quando foi mesmo que nos transformamos em super-mulheres? Não sei. Aliás, eu sei sim, foi quando decidimos que somente uma ruptura enorme mudaria os padrões de dominação masculina de séculos e séculos. Ser mulher pressupõe ser uma guerreira dotada de poderes extraordinários.

Desculpem-me se parece exagero, mas é assim que sempre fomos vistas e temidas por muitos homens. Por isso mesmo, tantas mulheres foram queimadas em fogueiras e outras condenadas ao esquecimento. Ter uma voz e não ter medo é um poderoso coquetel de confusão, ainda hoje em 2014. Não acredita? Então tá.

Fala-se muito em liberdade feminina e em fazer tudo que der na telha, até aí ok, mas experimente comunicar que não quer ter filhos ou se casar e pronto, as pessoas até lamentam e fazem o possível para entender o que deu em você. A gente vive passando por isso e até acha normal, porque faz parte da nossa vida sermos julgadas a cada passo que damos.

Quando a mulher escolhe ser mãe e se casar, não muda muito. Ela tem que segurar tudo. A coragem que hoje ostentamos acabou mudando a visão de muitos homens, ainda bem, e hoje eles entendem que precisam mudar junto com a gente para todo mundo ser mais feliz. Isso mudou apenas para uma parte dos homens, alguns ainda estão perdidos entre 1940 e 1960.

Não vejo problema em ser como sua mãe e avó, contanto que elas tenham sido felizes e donas de suas vidas. Parece simples. Mas não é, e nunca será. E olhem, que eu nem comentei sobre o assédio sexual diário, esse desconforto com o qual convivemos de forma tão corriqueira e que vai ficando banal. Não falei do aumento dos estupros, do medo de andar na rua à noite, e da existência sofrida e desumanas de mulheres em outros países, do Oriente, por exemplo.

Não consigo deixar de associar as mulheres com heroínas. Aceito provas do contrário, se alguém tiver.

Que 2015 seja mais gentil com as mulheres.

 


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O que aprendi com o filme “Garota Exemplar”

Cena do filme, com Amy, Rosamund Spike e Nick, Ben Affleck, tudo que é sólido se desmancha no ar. Foto/Imdb

Fui ao cinema cheia de expectativas para assistir “Garota Exemplar” do diretor David Fischer, o mesmo de “Clube da Luta”. Sabia que iria encontrar algo surpreendente, e as minhas expectativas foram satisfeitas em grande estilo. Saí do cinema com aquela sensação de espanto e de mente revolta. Muito além do enredo e roteiro ótimos, ele aproxima a lente ao observar um casamento e suas intermináveis questões.

Sem precisar soltar um spoiler por aqui, posso dizer algo que pude constatar – ninguém conhece ninguém totalmente. Não importa quanto tempo se viva junto, no caso de Amy, a garota exemplar do filme, seu casamento completava 5 anos quando a trama se desenrola, e tanto ela quanto o marido acabam se revelando. Essa é a única informação que darei.

Mas o que eu aprendi com a Amy? O de sempre, o que não fazer. Porque o devemos fazer, a gente sempre sabe, mesmo que não pratique e de fato, deixe pra lá. Amy Dunne desaparece misteriosamente no dia em que completa 5 anos de casada com Nick Dunne. A partir desse fato começam a surgir inúmeras perguntas sem resposta.

Essas respostas começam a revelar muito mais do que Nick sabia sobre Amy e então fica a questão, é realmente necessário saber absolutamente tudo sobre o outro, seu passado, presente e futuro? Talvez seja uma espécie de fetiche que alimenta a fantasia de alguns, mas não é necessariamente necessário para ser feliz com outrem. Ou será que é?

Eu diria que depende caros leitores, depende muito de cada um de nós.

Quando nos envolvemos com alguém novo, a primeira coisa que perguntamos é – o que você faz da vida? Quais seus gostos? E, etc. Depois a gente conhece o sexo, se apaixona, mas não há excitação que resista ao mistério permanente do passado. Saber quem são os pais, e o que mais houver é instintivo. Mas e quando é o futuro se mostra totalmente incerto? Tudo que é sólido se desmancha no ar.

Fica a dica. Recomendo fortemente o filme.

PS: estou lendo o livro e até agora o filme foi bem adaptado.

 


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Sereia hightech

Se tem uma loja gringa interessante para se gastar uma graninha que se suou para ganhar é a Black Milk Clothing. São leggings, bodies, lingeries, maiôs e outros mimos colantes e com estampas totalmente sensacionais.

Das incontáveis estampas muito amadas, vou destacar a que mais desejo no momento, a de escama de sereia. Mirem só.

Essas peças ainda não são vendidas no Brasil, mas dá para comprar no site e eles entregam aqui. Preparem-se para custos com taxas e impostos, não sai barato. Há similares com brilho, glitter e estampas legais, mas ainda não vi nenhuma marca com texturas e cores tão legais.


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A todo momento

A todo momento, no mundo, há alguém fazendo algo diferente, extraordinário, resolvendo alguma questão insolúvel, ou descobrindo uma nova teoria que vencerá a gravidade. E assim, todo dia, o sol se levanta, se põe, a internet continua on line, computadores e celulares, telefones e câmeras de vigilância.

Todo dia, sob um céu azul de doer, ou sob um céu cinza e ameno, os passarinhos continuam cantando, apesar do ar pesado e poluído. Em alguma floresta, mata fechada ou planície, ao longe ou perto, animais perdem seu habitat, esmagado por tratores e serras. Todo dia dados alarmantes aumentam, os da violência, dos latrocínios. Todo dia, nasce uma outra flor no vaso que eu esqueço de regar, e os meus cachorros me recebem, quando eu chego, como se não me vissem há meses.

A cada dia, meu aniversário de quarenta anos está mais perto, mas eu, meu rosto e corpo, teimam em não acompanhar, resolveram parar nos trinta, a cada dia, descubro ter mais motivos para ser teimosa e outros tantos para sossegar o “facho”, e acabo resolvendo que seguir é a melhor alternativa.

A todo momento, a cada dia, assim como centenas de milhares de seres humanos normais ou não, recebo tantas informações nas minhas retinas e ouvidos, tantas verdades incontestáveis que a vida esfrega na minha cara, que eu reflito sobre isso, apenas um momento.