A tarja rosa

Um aviso: Não temos respostas. Temos novas perguntas.


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Escrevinhadora

Já faz algum tempo que não tem essa de – fase de mudanças na minha vida. Ela é em si a constante mudança, em cada pequeno detalhe, cada aspecto e sentimento, cada célula de mim se modificou. (Tá bom, eu sei que a idade muda tudo, rs). Eu não pedi por isso, nem mesmo esperei, eu só senti que devia. Achei sabe-se lá Deus o porquê, que era a hora, decidi e me joguei.

Aumentei minha coleção de profissões, e se tem algo que acertei foi nisso. E virão mais acertos por aí, espero.

“Se jogar” se tornou quase um estilo de vida. E justamente numa fase, quando supostamente a gente se imagina “estabilizada”. Mas quê…ih esquece, isso não existe darling, eu conclui. E não precisa existir. Graças a essa falta de linearidade e de “chão firme”, sou quem sou, cheguei onde estou. Gosto. Se é muito ou pouco, prefiro não medir, só sei que rio muito mais que antes.

E esses contornos, paletas, batons, cores e desenhos vêm chamando de dentro de mim, outras coisas e talentos que eu tenho. É bonito de ver a força que as coisas ganham quando precisam acontecer. Silenciosamente de início, e depois com bastante barulho, como eu adoro.

As pessoas que me conhecem ou que me conheceram recentemente podem ver isso, tenho certeza. Cada uma delas tem um papel muito importante nesse caminho, mesmo que eu não diga verbalmente.

O jornalismo sempre estará comigo, mesmo porque não pretendo parar de escrever nunca, e ser jornalista é algo que representa uma parte importante da minha vida, principalmente, num mundo onde um dos grandes males seja a péssima interpretação de texto das pessoas. E também porque, e apenas, como sempre, eu quero. E fazer o que eu quero, de vez em quando, ao menos, é uma dádiva em tempos de realismo fantástico.

Este texto também está no meu site que contém o mesmo blog, com tudo dentro, só que de carinha nova – http://giselimiliozi.com.br/ 


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Para viver basta estar vivo

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Enquanto eu estou aqui escrevendo tem gente vivendo. E diante dessa frase eu me pergunto. Qual a idealização que as pessoas fazem de sua própria vida? Ou das vidas dos outros? Ou porque será que acreditam que estar com o corpo parado e a mente em movimento pode significar algo contrário a uma vivência plena? A resposta é que a resposta não existe. Cada um é que sabe de onde tirou suas teorias, sejam elas malucas ou não. Receio ter escolhido um tema tão árduo quanto as areias do Saara. E por incrível que isso possa parecer é o tipo de coisa que me faz pensar durante dias, semanas…

Minha opinião está bem clara e sem disfarces no título, em se tratando de viver basta estar vivo, posto que em grande parte da existência, a minha ou a sua, não estaremos conquistando novos mundos ou desbravando outras dimensões. Até hoje, ao menos, não foi assim.

Tive meus momentos absurdamente bons, ainda bem, tenho visões inesquecíveis e tão nítidas que nenhuma máquina moderníssima de fotografia poderia captar tão bem quanto a minha retina, mas, eles cabem em menos de um terço das minhas pouco mais de quatro décadas de vida.

Acredito que produzir algo de que se sinta um mínimo de orgulho ou prazer, e conseguir olhar para os outros seres humanos ao seu lado e amá-los já uma grande atividade, um senhor legado. Se der para inventar algo melhor para a humanidade, ok, se der para ajudar outros seres vivos, ok também, se você passar pela vida sem ser seduzida pela corrupção e pela maldade para chegar mais rápido, tanto melhor. Se a maldade dos teus semelhantes humanos não te alcançar pesada e certeira, você já está fora da média, tem sorte. E durante isso tudo, havia vida, você pulsava enquanto respirava, pode crer.

Acho que a vida que vivemos sem saber, a caminhada que desenvolvemos desde nosso despertar pela manhã, a ida até o banheiro, já é pura perfeição. Já tinha prestado atenção nisso? Provavelmente não. É algo automático. Coisa de quem deixa os instintos de lado, mas sigamos.

Muitas vezes estamos sentados uma cadeira no escritório, mas imaginando o estofado de um iate na Europa. Nada contra essa fantasia. Porém, lá não há mais vida que aqui, o que há são aventuras e o desconhecido que custa mais caro. O mente é tão vasta quanto o mundo, quer dizer, o mundo é menor.

Estou sendo muito simplista? Pode ser. Como posso comparar duas realidades tão diferentes? É simples. Porque é isso que eu tenho hoje. E eu não desprezarei o que eu sou hoje e o que eu vivi para estar aqui, pois, foram minhas escolhas, sejam elas como tenham sido, são minhas. Haja nobreza nisso ou não. E quem é que irá dizer que isso não é viver? Vive-se!

 

P.s.: Parece que o título é meio óbvio, e é mesmo. Quando eu escrevo, o faço primeiramente para mim. Não serei hipócrita a ponto de dizer que não. E será que tem alguém que não escreve para si? Seja essa pessoa um jornalista, um escritor, um contador, um poeta. 

 

 

 


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Eu escolho não esperar

Atalho perfeito dentro do jardim de Monet, que leva à casa onde viveu o pintor em Giverny, França. Que eu me lembre, o único caminho fácil que tive na vida.

Um atalho dentro do jardim de Monet, que leva à casa onde viveu o pintor, em Giverny, na França. Que eu me lembre, o único caminho aparentemente fácil que tive na vida.

Das tolices que já fiz/faço, esperar por algo e criar expectativas foi/será sempre a maior elas. O tema é batido, sei muito bem, mas assim como traição e colesterol não se esgota nunca.

E para provar, cá estou eu elucubrando sobre o tema. Não sei dizer se o que eu registrarei aqui será de valia real para alguém, porque tomar a decisão de não esperar nada de ninguém ou de alguma situação, é uma tarefa digna de monges budistas em nível master, e outros seres que, esperamos, sejam mais elevados que a maioria nós, mortais volúveis.

Quem dera eu pudesse ter chego a essa conclusão sem ter dado tanta cabeçada e murro em ponta de faca. Dói muito.

Primeiro vem o golpe e a gente percebe é frágil, quando achava que estava tudo sob controle. A espera e a ansiedade estavam ali sob a pele, um caminhão de sentimentos adormecidos. E aí a gente capota e promete que aquilo nunca mais acontecerá de novo, que vai ser blasé e não ligar para mais nada. Esqueça. Isso não existe, a menos que você esteja morto. Tá certo, eu exagerei, ninguém morre, apenas cresce, ou ganha um calo a mais. O lance é tentar minimizar o dano colateral.

Com esse blá, blá, blá, eu quero dizer que certa solidão interior pode trazer consigo uma incrível sensação de liberdade e autonomia. Eu explico.

Eu parto do princípio de que em algum momento lidaremos sozinhos com nossas escolhas, mesmo que tenhamos companhia, porque é algo interno e universalmente particular. Então que tal começar já?

Todos nós temos a ilusão de controle da vida e das coisas, por menor que seja, faz parte do ser humano ter essa sensação. Vai ver é algo que em outras vidas ou dimensões já foi uma realidade para os seres humanos. Não sei. É apenas mais uma divagação.

Quando esperamos algo de alguém, um ser humano como nós, e, portanto, falível, o risco de quebrarmos a cara é grande, embora a gente não racionalize nisso, pois não dá. Justamente por sermos humanos. Nós é que insistimos em esperar que algo seja ou aconteça como queremos. Tsc, não funciona assim. E digo mais, aproveita que estou te avisando. Fica a dica.

Claro que não dá para querer que todo mundo enxergue o mundo com nossos olhos, com nossas lentes, com nosso otimismo, ou pessimismo, e com nossas dores e alegrias. Mas ainda assim, a gente espera que o especial venha, e sem precisar pedir. E aí, meus caros, é que a coisa se complica e se torna dolorosa em 98,9% das vezes.

Na minha modesta opinião de quem se aceita velha demais e lúcida demais para esperar, a solução foi escolher não esperar.

A velha tática de não esperar, e se surpreender pelo melhor, tem dado certo em mais de 50% dos cases. Nem sempre consigo ser deslizante o suficiente diante da vida e das expectativas. Mas continuarei tentando e cada vez mais, serei desprendida. Quem sabe seja esse o jeito para viver a tal vida menos ordinária.


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Sem aviso prévio

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Não há como não citar a morte do meu pai como um marco em minha vida. Ele me deixou há 32 dias e ainda tento concatenar novamente minhas ideias.  Eu estou me refazendo pouco a pouco. Estou em paz, minha família também. Mas não há o que negar – nós mudamos. A luz não apaga nunca, mas as lâmpadas estão fracas e precisam de troca.

A impressão que tenho é a de que, a partir do dia em que recebi a notícia da doença do meu pai, tudo o que eu tinha na cabeça foi bruscamente deletado. Foi como se um cérebro novo fosse colocado no lugar do antigo para assimilar melhor as informações. Só que o coração que eu tinha no peito, este, permaneceu. Um truque perfeito. Uma mente vazia de tudo e um coração cheio de amor. Deve ser essa a receita divina para fazer com que a gente aguente certos trancos que a vida despeja na gente, sem aviso prévio.

Como uma mãe em vigília permanente pelos filhos, eu permaneci alerta e pronta para o que ele precisasse, instintivamente, ao lado de meu irmão e de minha mãe. Espero ter sido quem ele esperava que eu fosse. Ele disse tantas vezes, que sentia orgulho de mim, provavelmente na mesma quantidade em que me chamava de teimosa e dizia que eu fazia tudo como queria. Risinho.

Eu prefiro acreditar que fiz tudo certo, e que me mostrei forte para ele. Assim como ele esperava que eu fosse.

Só fica uma saudade das coisas boas, das risadas, dos ensinamentos e dos momentos únicos (bons e maus, tudo faz falta). O resto é basicamente seguir em frente e ser fortemente feliz. Bora lá!